A estrada é a mesma, a casa é a mesma, o velho umbuzeiro é o mesmo, a família é a mesma, mas Izídio já não é o mais mesmo.
Hoje, especialmente hoje, ele é só mais um...
Mais um Pai que ama, mais é obrigado a entender, ou melhor, se conformar com a idéia de que o seu Amor não é suficiente para garantir o futuro das suas crias.
Mais um Pai que chora por não são se sentir digno, pelo menos de garantir a estabilidade de seus filhos.
Mais um Pai que se sente impotente diante da necessidade que sua menina, a sua primogênita, sente, em buscar novos rumos, ou talvez "um" rumo, oportunidades, caminhos, soluções.
Mais um Pai que sente, cala e chora...
Os irmãos choraram, a mãe derramou as lágrimas do amor mais fraterno, mas o choro de Izídio foi diferente, foi choro de fracasso, de incapacidade.
Mas que culpa tem ele de viver num lugar onde as oportunidades favorecem apenas os "não-merecedores";
Que culpa tem ele, de ter trabalhado a vida toda de sol à sol, e não ter conseguido sequer a garantia de gozar uma velhice tranquila;
Que culpa tem ele, se as filhas querem mais que casar, ter oito filhos, e ter entre as suas obrigações, ajudar o marido a fazer carvão.
Que culpa tem ele, se o filho que mais que casar, ter oito filhos e ganhar a vida com uma enxada nas costas debaixo de um sol escaldante.
Naquele dia, Izídio chorou, e como consolo teve apenas a voz da filha em prantos, que quase sem voz, balbuciava: "-Eu volto Pai!"
E ele sabe que ela não vai voltar, e se voltar, será apenas para matar um pouco a saudade, depois de uns dias partir novamente, e deixá-lo.
Ele sabe... E hoje ele é só mais um...

Um comentário:
PERFEITO!!!!!!
Vc realmente entendeu e pode descrever a situação com uma selibilidade que a quande maioria das pessoas sente mas nunca consegue expressar!!!
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